BEBÊS PREMATUROS-“TIVE DUAS GESTAÇÕES DE PREMATUROS E MEUS FILHOS SOBREVIVERAM. ELES SÃO OS MEUS MILAGRES”, CONTA A MÃE DO NATAN E DA MARIA JULIA
Jucelia, o esposo e a filha, Maria Julia

“Novembro Roxo” é o mês internacional de sensibilização à prematuridade — uma condição que pode trazer importantes implicações para o recém-nascido , a família e a sociedade . A campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância dos cuidados e das medidas de prevenção do parto prematuro, como sensibilizar sobre a necessidade de cuidados especializados com os prematuros.

A Jucelia Plavak de Paula ainda se emociona quando fala do nascimento dos dois filhos, o Natan, hoje com 16 anos de idade, e a Maria Julia, que acabou de completar 1 ano e três meses. Ambos nasceram prematuros. “O Natan nasceu de parto normal, com 26 semanas e três dias, pesava 1,14 kg e media apenas 33 centímetros. Nasceu todo roxinho e os médicos chegaram a dizer que ele não sobreviveria. Como a gente não tinha UTI neo-natal aqui em Brusque, naquela época, ele foi transferido para o Hospital São José, em Florianópolis. Ficou lá durante dois meses, pegou várias infecções no hospital, mas Graças à Deus ele foi forte. Sempre foi um menino muito saudável, não ficou com sequelas, nem dá para dizer que é prematuro”, disse a mãe orgulhosa.

Segundo ela, os médicos disseram, na ocasião, que o bebê nasceu prematuro, por conta da pressão alta que teve durante a gravidez, que causou pré-eclâmpsia e, mais tarde, soube ainda que tinha útero didelfo, que também resultava em riscos à gravidez. Porém, a Jucelia tinha o sonho de ter uma filha e, 15 anos depois, engravidou. “Eu sabia dos riscos, mas ela veio. Foi uma gravidez difícil desde o início. Eu sentia muita dor, dores lombares e dores pélvicas, mas eu confiava. A Maria Julia acabou nascendo com 27 semanas e um dia, também prematura. Ela pesava 1,66 kg e media 37 centímetros.

Nasceu muito bem, coradinha e até chorou. Precisou ficar dois meses na UTI, mas também não ficou com nenhuma sequela. Eu sou muito grata. Eu vou falando, e vou me emocionando. Vai passando um filme na minha cabeça. Foram duas gestações prematuras, mas meus filhos sobreviveram. Eles são os meus milagres”, diz Jucelia, com lágrimas nos olhos.

Segundo a médica pediatra Ana Maria Baur, pressão alta, pré- eclâmpsia e idade da mãe, como relatou a Jucelia ao contar sobre a sua gravidez, são apenas alguns dos fatores que resultam no nascimento de bebês prematuros. “De uma maneira geral, as causas para o nascimento de prematuros, podem estar relacionadas à mãe, como hipertensão materna, diabetes, idade, obesidade, infecções maternas, gravidez múltipla, alteração da placenta ou razões anatômicas. Há ainda os fatores relacionados ao bebê, como malformações e sofrimento fetal. Destaco ainda, e com ênfase, os fatores relacionados a assistência, sociais e de estilo de vida como, por exemplo, pré-natal inadequado, uso de drogas, tabaco, bebidas e gestação de risco sem acesso a cuidados pré-natal”, afirma a médica, que também é membro da Associação Brusquense de Medicina – ABM.

Além disso, conforme explica a pediatra, os bebês prematuros podem apresentar maior risco de complicações e até mesmo sequelas, que variam de um bebê para outro. “As últimas semanas de gestação representam um período acelerado e complexo do desenvolvimento fetal. Diversos órgãos vitais podem ser afetados, como o cérebro, o pulmão, a visão, o coração, os pulmões e o intestino. Os bebês prematuros apresentam maior imaturidade imunológica, além de maior chance de alterações metabólicas e nutricionais, o que poderia gerar mais complicações imediatas ou de longo prazo. As principais sequelas da prematuridade estão relacionadas ao desenvolvimento neurológico (atraso, déficit de atenção, entre outras), doença pulmonar crônica e e uma preocupação crescente para os pediatras, pois na idade adulta há maior risco de obesidade, hipertensão e diabetes”, esclarece.

SOBRE OS PREMATUROS
O recém-nascido pré-termo, ou prematuro, como é chamado, é o bebê que nasce antes do tempo, com menos de 37 semanas de gestação. “Os pediatras utilizam uma classificação de acordo com a idade gestacional que o bebê tem ao nascer, como Pré-termo tardio, moderado, muito pré-termo, e extremo, que é aquele bebê que nasce antes de 28 semanas. Lembrando ainda que, mesmo sem ser prematuros, os recém- nascidos chamados de “termo precoce “, ou seja, nascidos entre 37 e 38 semanas, são um grupo de bebês de maior cuidado, por ter mais riscos de sintomas adversos”, afirma.

Segundo explica a médica, “a evolução dessa criança vai depender de diversos fatores, sendo o principal: idade gestacional, peso ao nascer, da causa que gerou o nascimento prematuro, das condições clínicas e assistência neonatal disponível. As taxas de sobrevivência e a possibilidade de ter sequelas é bem diferente em um bebê menor de 25 semanas, do que de um entre 29-32 semanas, por exemplo”.

No Brasil, a prematuridade é a principal causa de mortalidade infantil, mas as taxas de sobrevivência têm aumentado nos últimos anos, sendo mais de 80%. Inclusive, no ano de 2023, o país registrou o menor índice de mortalidade infantil e fetal por causas evitáveis dos últimos 28 anos.

UTIs E CUIDADOS
Nos últimos anos, o Vale do Itajaí tem se destacado pelo aumento de UTIs – Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, que são aptas para o cuidado especializado de recém-nascidos prematuros. “Vale lembrar que, um leito de UTI neonatal implica uma complexa estrutura tanto física quanto assistencial. E mesmo tendo grande melhoria da estrutura, segue havendo maior demanda do que oferta de leitos “, alerta a pediatra, Ana Maria Baur.

Existem programas que permitem a humanização no cuidado do recém-nascido, como o método Canguru, que além de ter vantagens para o bebê, permite o vínculo da família com o pequeno nesta fase muitas vezes angustiante, também na maioria das UTI de nossa região os bebês têm acesso a leite materno do banco de leite.

PREVENÇÃO
Conforme orienta a médica Ana Maria Baur, a prevenção da prematuridade começa antes da gestação, com o planejamento da gravidez, boa nutrição e evitar álcool e drogas. “Durante a gestação, é essencial iniciar o pré-natal cedo, seguir as consultas e tratamentos indicados, e o médico deve controlar doenças maternas, identificar riscos e intervir quando necessário. Além disso, cabe aos gestores públicos promover políticas de prevenção da gravidez não planejada e garantir acesso amplo e de qualidade ao pré-natal e aos serviços de saúde, assim como atenção especializada e seguimento multiprofissional dos recém nascidos prematuros”, conclui a médica.

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