O software catarinense que ajudou a erguer o Brasil: os 30 anos do Eberick 

Conheça a trajetória do sistema que transformou cálculos estruturais em todo o país, impactando diretamente a evolução da Construção Civil no país

O que começou como uma resposta a uma demanda técnica do mercado se transformou, ao longo de três décadas, em uma das principais plataformas de cálculo estrutural do país. Desenvolvido pela AltoQi, empresa brasileira referência em tecnologia para a construção civil, o Eberick chega aos 30 anos neste mês de maio, consolidado como um dos sistemas mais avançados do mundo e como protagonista na digitalização da construção civil brasileira.

Criado em um momento em que engenheiros ainda realizavam cálculos manualmente ou com ferramentas fragmentadas, o Eberick nasceu para resolver um problema central: integrar, em um único ambiente, todas as etapas do projeto estrutural de um edifício. Hoje, essa proposta evoluiu para um sistema que conecta projeto, execução e tomada de decisão — com o apoio de inteligência artificial e metodologia BIM.

“O Eberick surgiu de uma necessidade real do mercado: deixar de calcular estruturas em partes isoladas e passar a pensar o edifício como um todo, de forma integrada”, explica Rui Gonçalves, fundador da AltoQi, empresa com sede em Florianópolis e com 37 anos de atuação.

Hoje, o sistema reúne mais de 10 mil usuários ativos e soma cerca de 200 mil projetos desenvolvidos apenas nos últimos dois anos, totalizando mais de 100 milhões de metros quadrados calculados no período. Números que refletem não apenas a escala de uso, mas a presença crescente da tecnologia em obras de diferentes portes — incluindo edifícios de alta complexidade no Brasil e no exterior.

Para o Product Marketing da AltoQi, Luiz Fellippe de Souza, o Eberick ultrapassou há muito tempo a função original de software técnico. “O Eberick acompanhou — e em muitos momentos impulsionou — a transformação da engenharia estrutural no Brasil. Hoje, ele não é apenas uma ferramenta de cálculo, mas uma plataforma que apoia decisões mais estratégicas dentro dos projetos”, afirma.

Segundo Souza, essa evolução acompanha uma mudança no próprio perfil dos profissionais. “O engenheiro deixou de ser apenas operacional e passou a atuar de forma muito mais analítica e estratégica. Com o apoio da tecnologia, é possível antecipar problemas, simular cenários e tomar decisões mais assertivas ainda na fase de projeto”, completa.

Como o Eberick funciona na prática

Na rotina da construção civil, o Eberick atua como o “cérebro estrutural” do projeto. Na prática, engenheiros utilizam o software para modelar digitalmente toda a estrutura de um edifício — incluindo vigas, pilares, lajes e fundações — em um ambiente único. A partir dessa modelagem, o sistema realiza de maneira automatizada os cálculos estruturais, simula comportamentos físicos e verifica a segurança da edificação conforme normas técnicas.

Além disso, o software aplica métodos avançados de cálculo, como a análise por elementos finitos, que permite avaliar com alto nível de precisão os esforços e comportamentos da estrutura em diferentes condições.

Isso permite identificar falhas ainda na fase de projeto, antes mesmo do início da obra, além de prever impactos de vento, cargas e movimentações estruturais com alto nível de precisão. O sistema também gera detalhamentos completos para a execução e possibilita a integração do projeto estrutural com disciplinas como hidráulica, elétrica e outras áreas por meio da metodologia BIM.

Na prática, isso significa que decisões que antes eram tomadas no canteiro de obras — muitas vezes com improviso — passam a ser resolvidas no ambiente digital, com maior controle e previsibilidade.

Na obra, o impacto é direto: menos improviso, menos retrabalho e mais precisão. “Antes, muitos ajustes eram feitos no canteiro. Hoje, o projeto já chega resolvido. A obra passa a ser praticamente uma montagem”, afirma Rui Gonçalves.

O avanço técnico também é significativo. Se na década de 1990 um cálculo podia levar horas — ou até um dia inteiro —, hoje o mesmo processamento é feito em segundos, com um nível de precisão exponencialmente maior e incorporando variáveis como vento, vibração e comportamento global da estrutura.

Um diferencial global

Ao longo de sua evolução, o Eberick incorporou tecnologias como modelagem 3D, integração completa em BIM, análises dinâmicas e recursos avançados para projetos de grande porte — incluindo edifícios altos e estruturas complexas.

Mais recentemente, a plataforma passou a incorporar camadas de inteligência artificial, ampliando sua capacidade de análise e apoio à tomada de decisão.

Segundo a empresa, o nível de integração e profundidade do sistema coloca o Eberick em uma posição única no cenário internacional. “Hoje, não existe no mundo um software que reúna, com esse nível de profundidade, cálculo estrutural, modelagem integrada, análise avançada e conexão com todo o ecossistema da construção civil”, afirma o Product Marketing da AltoQi.

Luiz Fellippe de Souza destaca que o software deixou de ser apenas uma ferramenta técnica para se tornar uma plataforma estratégica dentro do setor. “O Eberick não é mais só sobre cálculo. Ele conecta dados, pessoas e decisões. É isso que permite ganhos reais de produtividade, previsibilidade e qualidade na construção civil.”

Da origem técnica à construção de um legado

A trajetória do Eberick está diretamente ligada à história da própria AltoQi — e a episódios marcantes que ajudam a explicar sua evolução.

Um dos momentos mais simbólicos envolve Ricardo Eberhardt, engenheiro considerado peça-chave na origem da empresa. Mesmo enfrentando um câncer, ele finalizou, ainda em tratamento, uma das versões mais importantes do primeiro software da companhia.

“Ele terminou a versão 2.5 do ProViga na cama. Foi um dos grandes sucessos iniciais da empresa — e ele nem chegou a ver esse impacto”, relembra Rui Gonçalves.

Anos depois, ao lançar um novo sistema integrado, a empresa decidiu homenageá-lo. “O nome Eberick vem do apelido que ele usava. Foi a forma que encontramos de eternizar alguém que foi fundamental para tudo isso existir.”

O desenvolvimento da plataforma também foi impulsionado por momentos críticos de mercado, concorrência internacional e decisões estratégicas — como a aposta precoce no ambiente Windows e a integração completa dos sistemas ainda nos anos 1990, em resposta à chegada de soluções estrangeiras ao Brasil.

Inovação em momentos críticos

O lançamento do Eberick, em 1996, ocorreu em um cenário desafiador. Softwares internacionais começavam a chegar ao Brasil com soluções integradas, pressionando empresas nacionais a evoluir rapidamente.

A decisão da AltoQi foi apostar em uma tecnologia ainda incipiente: o ambiente Windows. “Na época, não era uma escolha óbvia. Era instável, tinha limitações, mas a gente acreditava que era o caminho. Isso nos deu uma vantagem competitiva mais adiante”, destaca Rui.

Ao longo dos anos, o software passou por diversas transformações, incorporando recursos como modelagem BIM, análises estruturais avançadas e simulações cada vez mais complexas — acompanhando a evolução das exigências do mercado, especialmente com o crescimento de edifícios altos no país.

Tecnologia moldada pelos usuários

Um dos diferenciais do Eberick, segundo a AltoQi, está na construção coletiva da plataforma. Ao longo dos anos, o desenvolvimento do software foi guiado pela experiência prática de milhares de engenheiros.

“A tecnologia nunca termina. Ela evolui com base nos problemas reais dos usuários. O Eberick é resultado direto dessa troca — daquilo que os engenheiros vivem no dia a dia dos projetos”, afirma Rui.

Essa evolução contínua se reflete na percepção de profissionais que acompanham de perto a trajetória da plataforma. Para Ricardo Máximo, da Destrave Engenharia, a escolha pela solução acompanha o crescimento dos próprios projetos. “Escolhemos o Eberick  justamente por acreditar na qualidade da ferramenta. Os projetos cresceram e hoje fazemos grandes edifícios. Não só o software, como também a AltoQi tem sido grande aliada.”

A relação de longo prazo com a tecnologia também é destacada por usuários. “Usamos AltoQi há mais de 10 anos. E pretendemos usar pelos próximos 50, pelo menos. Simplesmente são os melhores, em todos os sentidos”, afirma a equipe da RG Engenharia Estrutural.

Para o engenheiro Karlo Vojciechovski, a consistência da ferramenta ao longo dos anos reforça sua confiabilidade no mercado. “Projeto edifícios há anos usando a ferramenta AltoQi Eberick. Creio que isso já comprova a qualidade e versatilidade do software.”

Já a empresa Linear Projetos & Soluções ressalta a evolução tecnológica ao longo das décadas. “Iniciamos na fase do hard lock físico, mas ainda vinha uma caixa com manual do Eberick. Temos ela até hoje. Que evolução!”

Na prática, essa proximidade com os usuários se traduz em ganhos concretos de produtividade, precisão e segurança — reforçando o papel do Eberick como uma plataforma construída não apenas pela tecnologia, mas pela experiência acumulada de quem projeta e executa obras em todo o país.

O futuro: inteligência artificial e industrialização da construção

Três décadas depois, o Eberick entra em uma nova fase, marcada pela incorporação de inteligência artificial e pela conexão com tendências como a industrialização da construção.

A proposta é ampliar o papel do software, tornando-o ainda mais ativo no processo de tomada de decisão. “Estamos evoluindo o Eberick para que ele funcione como um agente inteligente, capaz de auxiliar o engenheiro, sugerir melhorias e identificar inconsistências nos projetos”, explica Rui Gonçalves.

Segundo ele, essa transformação está diretamente ligada a uma mudança mais ampla no setor. “A construção está caminhando para um modelo mais industrializado, com processos mais previsíveis e integrados. E isso exige projetos cada vez mais precisos e digitais”, afirma.

Nesse cenário, o papel do engenheiro também se reposiciona. “A tendência é que ele tenha cada vez mais espaço para atuar como engenheiro, podendo investir mais tempo na concepção do melhor resultado técnico no lugar de gastar tempo com tarefas repetitivas e operacionais”, completa Souza.

Após 30 anos de trajetória, o Eberick segue evoluindo — agora não apenas como software, mas como parte de um ecossistema que conecta tecnologia, engenharia e construção.

Sobre a AltoQi

A AltoQi é uma empresa brasileira, líder nacional em tecnologia para a construção civil, com 37 anos de atuação no desenvolvimento de soluções digitais para o setor. Com sede em Florianópolis, a companhia desenvolve plataformas baseadas em BIM voltadas ao projeto, cálculo e gestão digital da construção, atendendo projetistas, construtoras e incorporadoras em todo o país.

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